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06/06/2018 - 6 meses atrás

Eu e minhas Copas

Eu e minhas Copas

Hoje perguntei para alguns de meus alunos quantas copas eles já tinham assistidos. A resposta foi; 2010 e 2014, e alguns responderam que foi a partir de 2014. Então, um deles me perguntou; e as minhas - quantas copas eu já tinha assistido? No inicio não respondi, mas eles insistiram. Sentamos no chão da quadra e comecei a contar. Confesso que passou um filme sobre todas as copas.
 
1970 – Eu tinha 11 anos. Nem tínhamos televisão em casa. Assisti na casa do vizinho. Foi uma magia. Algo realmente impressionante. Lembro muito que todos gritavam; toca pro Pelé; o Pelé resolve; gol do Pelé. Eu nem sabia quem era este tal de Pelé, mas percebi que o cara - era o cara. Na época disseram-me que o Brasil era o melhor do mundo, no futebol.
 
1974 -  Foi na Alemanha Ocidental (expliquei sobre as duas alemanhas).  Logo pensei; não tem pra ninguém - nós temos o Pelé. Para minha decepção soube que o Pelé não fora convocado. Pensei;- e agora? Pelé é o único que joga no time. Não deu outra, levamos um baile e uma aula de futebol dos Holandeses que nos derrotou.  
 
1978 – A Copa foi na Argentina. Justamente a copa que me ensinou que nem tudo se ganha jogando bem. Brasil não perdeu nenhum jogo e dependia do resultado do jogo entre a Argentina e Peru, onde Argentina desclassificaria o Brasil caso ganhasse do Peru por 4 x 0. Resultado da partida; 6 x 0 para Argentina - acredite!
 
1982 – Quando soube dos convocados da seleção para copa da Espanha, logo pensei; Pelé nem fará falta. Eram tantos craques reunidos; Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Cerezo, Sérgio Chulapa e Cia. O técnico era nada mais e nada menos que Telê Santana. Haja respeito! Mas, do outro lado como adversário tinha um italiano chamado Paolo Rossi e nem era tão famoso, assim. Maldito carrasco. Perdemos por 3 x 2 para Itália. O Brasil ficou inteiramente ficou triste. Eu chorei feito criança!
 
1986 – Voltamos ao México. Quem sabe não seria agora. Mesmo jogadores de 82, mesmo técnico. Agora não vamos cometer os mesmos erros com a Itália. Não teve jeito. Tropeçamos nas quartas de finais, e perdemos nos pênaltis para França. Uma copa emblemática pelo gol de mão do Maradona que até hoje é lembrado como Mão de Deus. A Argentina foi campeã.
 
1990 – Foi na bela Itália. A única lembrança boa era de que seria a última copa das Alemanhas divididas. A participação do Brasil foi pífia.  Os jogadores pensaram nos contratos milionários europeus e esqueceram de jogar futebol. Fomos derrotados pela Argentina num golzinho chocho de Caniggia.  Lazaroni, o técnico - desapareceu do Brasil por um bom tempo.
 
1994 – Primeira copa nos Estados Unidos e ninguém acreditou nesta copa. Vínhamos de uma atordoada fase de classificação. No comando o velho Zagalo junto com Parreira e suas manias. Nela tinha um baixinho bom de bola e ranzinza, junto a ele um jogador “puto” por ter sido criticado e crucificado na copa de 90; o Dunga. Sobravam a velocidade de Bebeto e uma zaga de respeito. E não é que o tempero deu certo! Vencemos a Itália nos pênaltis. Voltamos a ser campeão do mundo depois de 24 anos.
 
1998 – França recebe a copa. Depois de 94, tudo para nós era possível. Voltamos a ser visto como os melhores do mundo, e jogamos como tal. Não fomos brilhantes, cometemos erros no caminho, mas corrigimos a tempo de ir para mais uma final. Neste jogo tinham dois craques; do lado de lá um Argelino naturalizado francês chamado Zinedine Zidane e do nosso lado o Ronaldo fenômeno. Para nosso azar, o nosso craque passou mal, enquanto o de lá passou muito bem - nos destruiu. Engavetou 3 gols na final. França campeã!
 
2002 – Uma Copa com sede dupla - mistura de Coreia do Sul e Japão. Nossa seleção era muito boa, igual a de 82. Comandada pelo Felipão no seu auge, novamente, só tinha craques; Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Roberto Carlos, Rivaldo. Um timaço - dava até medo, levar um tropeço e ficar no meio do caminho como em 82. Mas a seleção foi impecável. Vencemos a Alemanha na final por 2 x 0 e nos tornamos a única seleção com o título de Pentacampeão. Passaram novamente a nos respeitar.
 
2006 – A Copa voltou para Alemanha, agora unificada. Para nós brasileiros, a sensação de melhor do mundo estava voltando, a base era a de 2002, portanto, certeza de presepada a nosso favor, mas nas quartas de finais sofremos a derrota para França. Erro e postura bizarra de jogadores que até hoje se discute a tal  arrumada de meia de Roberto Carlos.
 
2010 - Foi na África – a terra mais sofrida e também a mais alegre de todas. A Espanha ganharia sua primeira copa. A Itália que foi campeã na anterior, não ganhou nenhum jogo nessa copa. Foi a Copa das Vuvuzelas. O Brasil vivia a era Dunga como técnico; tão ruim quanto sua seleção. Uma seleção picada, cheia de brutamontes e pouca qualidade, alguns brilhos individuais como Kaká, Ronaldo Fenômeno e Daniel Alves. Não aguentou o rojão, caiu fora nas quartas de finais, perdendo para Holanda por 2 x 1, novamente um Carrasco para nossa seleção.
 
2014 – Até que enfim a copa de volta ao Brasil depois 1950. Com o Felipão de volta e alguns novos nomes surgindo no futebol como o craque Neymar. Achávamos que venceríamos fácil a copa, mas foi o contrário, perdemos fácil e feio demais. Fomos goleado na semifinal pela Alemanha por 7 x 1. Inesquecível copa, infelizmente!
 
2018 – O que esperamos da Copa na Rússia? Começando por não acreditar que a seleção brasileira seja a melhor do mundo, pois ela não é. Todas as outras estão tão bem qualificadas quanto a nossa. Mas aí - será uma história que contarei só depois de seu fim.
 
2022- Acredito em Qatar.
 
No final, olharam-me e comentaram; - Nossa – como você é velho!
Respondi:- Pois é, estou ficando velho e com história!
 
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(o texto apresentado é de inteira responsabilidade de seu autor/colunista)

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Adinã Leme

Formado em Educação Física, pela FAJ – Faculdade de Jaguariúna. Especializado em Ciências metodológicas do treinamento em futebol e futsal pela Universidade Gama Filho – RJ.

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